
Irmão
Irmão,
Debaixo de minhas botas
Está o chão onde piso.
Talvez seja por isto que eu viva flutuando
Para livrar-me das tristezas da terra em que habito.
Debaixo de minhas botas há tantos seres caídos ao chão,
Pois falta-lhes sonho ou comida
Falta-lhes pão ou ilusão.
Irmão,
Debaixo de minhas botas
Jamais encontrarás meu irmão,
Pois onde quer que eu ande
Ao meu próximo estendo as mãos.
Irmão,
Procure com muito carinho
No fundo do meu coração,
Lá encontrarás o teu ninho
Onde guardo o amor, a saudade e o perdão!