
Soneto do Abandono
Tu que ao relento dormes,
Sono pesado, morto de cansaço,
Seu corpo é pedra
Tua alma é aço!
Desperta pra vida,
Grande decepção!
N'alma cravada a ferida
Da falta do teto e do pão.
Teu olhar são duas espadas
A ferir-me o coração, que sangra,
Por ver-te caído ao chão!
Pobre criança entregue a sorte,
Que a má sociedade renegou,
Espera em Deus nosso Senhor!
música: Admirável Gado Novo